Hoje foi o pior dia desde que recomecei a trabalhar.
Acordei com uma angústia e uma tristeza enormes. Sonhei que estava grávida, sonhei com os tempos passados, sonhei com a minha princesa.
Claro que quando acordei só me apetecia continuar a dormir e não me apetecia mesmo nada ir trabalhar. O tempo lá fora também não ajuda nada, fico tão deprimida com o Inverno. Depois ainda tem o facto de ser segunda feira e ter de ir aturar as pestes do 5ºU.
Bem, mas o dever chamou-me e a caminho da Escola lembrei-me que sendo dia 16 de Novembro, amanhã a minha menina faria 6 mesitos. Pois é, ainda mais triste fiquei.
Comecei a imaginar como já seria crescida a minha Matilde com meio anito feito. Só me apeteceu voltar para casa e chorar até adormecer mas isso não iria ajudar grande coisa.
Há dias assim.
Espero que o dia de amanhã passe depressa.
A ti minha princesa, um beijo grande da mamã que gostava tanto de te estar a comprar um presente a a festejar contigo os teus 6 mesinhos.
Mais um fim de semana para a engorda é o que o vício da bicicleta faz.
A questão é que o vício não é meu e por isso engordo a dobrar porque não faço exercício.
Lá fomos nós à festa da castanha a Marvão.... mais engorda!!!!!!
Agora estou para aqui inchada que nem um balão e ainda por cima não consegui fazer nada de útil porque a Mariana decidiu querer ver desenhos animados mas é obrigatória a minha companhia.
Amanhã é segunda feira e já estou a ficar stressada.
Pois é, no fim de semana passado, conheci o Afonso.
É tão lindo e fofo que só apetece apertar. Até nos deixou jantar tranquilamente. Bom, é preciso referir que já estava de barriguinha cheia.
Dormir é que nada, não sei como é que um "piolhito" com 2 mesitos apenas se matém acordado tantas horas. Deve ter inspeccionado a casa toda muito bem!!!!
O Afonso tem muita sorte porque tem uma família fantástica e um anjo que irá olhar sempre por ele.
Claro que o adoptei logo como meu sobrinho do coração, já que de outra forma também nunca chegarei a ser tia porque não tenho irmãos.
Como não tenho filhos vivos, vou coleccionado sobrinhos, sempre posso distribuir amor e carinho que tenho para dar aos montões. Adoro crianças!!!!
Ontem na reportagem da SIC fiquei sem palavras.
Volto a dar os parabéns à Associação, à Jornalista e toda a equipa que fez a reportagem.
Parabéns a quem deu a cara por esta causa, pois, além de corajosas (tiveram a coragem que eu não tive), conseguiram transmitir muito bem aquilo que sentimos ao perder os nossos filhos tão desejados. Revi-me em todas as palavras que foram ditas. Senti um enorme nó na garganta porque percebi agora a dimensão do número de pessoas que passam pelo mesmo problema em silêncio.
Obrigado a todos e um muito obrigado à Artémis que me ajudou a erguer e seguir em frente e que acredito que irá ainda ajudar muitas outras mães na mesma situação.
Sinto um orgulho enorme de fazer parte deste grupo de amigos que partilham e ajudam sem pedir nada em troca.
Amanhã vou conhecer o Afonso, fruto de uns pais que com enorme dor ficaram sem o Tiago, mas que agora voltaram a sorrir porque além de um anjo no céu têm também um filho lindo para abraçar e amar aqui na Terra. Estou ansiosa.
Para quem por aqui passa, amanhã dia 28 de Outubro, será emitido no Jornal da noite, no canal privado SIC, uma reportagem sobre a Perda Gestacional com a duração de 11 minutos.
Esta reportagem contará coma presença da Drª Sandra Cunha, Psicóloga e Coordenadora do Dep. de Psicologia da Artémis, a Drª Ana Azevedo, Geneticista e colaboradora da Artémis, Drª Paula, Obstetra do Hospital D. Estefânia e dois testemunhos - Vera Pinto e Cristina Tudela.
Podem enviar comentários para o e-mail: projecto.artemis@iol.pt caso pretendam manifestar alguma opinião acerca do tema.
Finalmente comecei a trabalhar.
Para começar levei logo com reuniões atrás de reuniões.
Se antes não sabia o que fazer ao tempo, agora não tenho tido tempo para fazer o que preciso.
Tem sido um corropio tão grande nestes primeiros dias que só agora consegui vir à net e a minha mãe até me pergunta porque é que agora estou mais perto de casa e chego muito mais tarde. Pois é, estes últimos dias tenho entrado às dez e saído às nove da noite.
Em relação aos putos tenho de tudo, tenho uma turma muito boa, uma média e uma muito má. Estes últimos vão fazer-me a vida negra, ainda por cima a Matemática não costuma ser a preferência desta gente. A sorte é que venho de uma escola em que me tive de habituar a este tipo de pestes e até muito piores.
Enfim, acho que me está a fazer bem estar ocupada e sentir-me útil.
Depois de mais de 10 meses em casa, amanhã regresso ao trabalho.
Estou muito ansiosa mas com muita vontade de recomeçar. Tenho de sair de casa, tenho de retomar a minha vida, tenho de pensar em coisas novas, tenho de me ocupar. Estar em casa não me tem ajudado muito a superar os momentos difíceis.
Amanhã lá vou eu encarar as minhas pestinhas e vamos lá ver como reagem à minha presença. Estes primeiros dias vão ser um pouco difíceis porque para além de nos termos de adaptar uns aos outros, tenho algum receio das perguntas que os míudos possam fazer. Não sei o que irei responder quando me perguntarem se tenho filhos. O mais fácil será responder que não e tentar afastar o assunto ou então opto pela resposta difícil de ter de dizer que perdi um bébé e por isso só agora fui trabalhar. Prefiro a segunda opção pois é a mais sincera mas tenho medo que as emoções me traiam. Acho que este é realmente o motivo da minha ansiedade.
Ontem de laço ao peito, amanhã de aperto no peito.
Pois é, já lá vão 5 meses, 5 meses de tristeza por não ter comigo o bem mais precioso que se pode ter. Tenho tantas, tantas saudades da minha pequenita, como ela já deveria estar crescida.
Amanhã é apenas mais um dia mas as datas parecem ser ainda mais dolorosas. Parece que estes dias custam mais a passar porque deveriam ser de alegria e festejo e agora não há nada para festejar, só recordar com saudade e muita, muita dor.
Vou tentar ocupar-me com qq coisa, não posso ficar parada à espera que o dia passe... ainda me irá custar mais.
Matilde, onde quer que estejas, eu estou aqui a pensar e a rezar por ti, sempre.
Amo-te muito, muito, muito...................................
Existem coisas sem explicação mas que parecem não acontecer por acaso.
Até dia 19 tenho estado a gozar as férias que não me deixaram abdicar porque a lei não permite e descobri agora que a colega que me tem estado a substuir teve uma menina quatro dias depois de eu ter perdido a Matilde. A Ironia é que eu não tenho a minha filha mas fui obrigada a gozar férias e ela que tem uma bébé com a mesma idade que teria a Matide, está a 400 Km de casa e longe da sua menina. Pois é, como os contratos dela são a termo, não tem direito a férias e como está no início da carreira tem de agarrar tudo para fazer tempo de serviço.
Confesso que o sentimento de inveja tomou conta de mim... como eu gostaria de, mesmo estando longe, saber que no final da semana iria olhar para a minha menina e iria vê-la crescer. É claro que isto é um sentimento igoista, porque deve ser horrível ter um bébé e ter de passar a maior parte do tempo longe dele. Não sei até que ponto, na situação dela eu não desistiria da profissão, ainda mais como o ensino está... os professores têm sido muito maltratados e a instabilidade é uma constante. Ensinar hoje em dia só mesmo por amor à camisola.
Ontem convidaram-me para falar da minha Matilde na SIC, numa reportagem que irá passar no dia 15 de Outubro. Confesso que gostava muito de conseguir homenagiar a minha princesa e de dar essa contributo à Associação que tanto me tem ajudado (ARTÉMIS) mas o facto de dar a cara assusta-me. Nunca gostei de protagonismo nem de expôr a minha vida em público e portanto não fui capaz de aceitar esse desafio. Para além disso, o que provavelmente iria acontecer é que eu iria começar a chorar e não iria conseguir dizer grande coisa.
Na escola onde eu estive estes últimos 3 anos, muitas foram as vezes que a comunicação social lá esteve e eu sempre "fugi" dos jornalistas e das câmaras. Agora acabei por voltar fazer o mesmo.
Sinto-me um pouco triste porque o meu lema sempre foi arrepender-me daquio que faço e não daquilo que não fui capaz de fazer. Não sei se um dia irei conseguir expôr-me dessa forma. Talvez um dia se o milagre acontecer eu consiga mostrar ao mundo a minha Matilde e o meu milagre.
No entanto, gostava aqui de dizer que a Artémis pode continuar a contar comigo sem câmaras. Gostava muito de ajudar a fundar um núcleo nesta zona porque as mães do centro e sul também precisam de muito apoio. Sei que é difícil mas acredito que um dia iremos conseguir.
Peço desculpa por esta minha fraqueza.
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